Geralmente, a primeira reação de uma pessoa ao sentir-se ofendida é de ira contra o seu ofensor, por sentir-se ameaçada.
O problema não está na simples reação momentânea de ira, mas no permanecer irada.
Há a ira justa, e a ira rancorosa.
Chama-se ira justa à reação de uma pessoa contra um agente ofensor, ao sentir a sua integridade ameaçada. A ira justa pode se manifestar também em forma de uma atitude de alguém em defesa de uma causa justa.
Quando isso acontece, o que se dá no indivíduo é uma reação celular produzindo determinadas substâncias químicas, para colocar o organismo em posição de defesa e de ataque. Esse tipo de ira é momentâneo, e de curta duração. O tempo suficiente para resolver a situação estressante. Finda a situação ofensora, o organismo volta ao seu estado de equilíbrio, e a vida continua.
Entretanto, há pessoas que vivem em um constante estado de irritação. Vivem num estresse contínuo, são verdadeiras bombas de bater. Explodem facilmente, e por tudo. Tais pessoas carregam dentro de si um contínuo sentimento de estarem sendo agredidas, e por força dessa compreensão, se lançam sobre as pessoas e situações de forma agressiva e destruidora. Poderíamos denominá-las de “os destrói o mundo”, só que estão sempre agindo sob o argumento de defesa, por estarem se sentindo agredidas. Elas não se vêm como agressoras, mas como alguém que está em defesa pessoal. Entendem que não estão agredindo a ninguém, estão apenas se defendendo. Essa é a ira rancorosa.
A ira como hostilidade rancorosa é condenável e se manifesta, muitas vezes, numa decorrência de lembranças de fatos ocorridos e não tratados.
O Psicólogo Emílio Mira y Lopez afirma que no momento do estado de ira, os músculos se contraem, a vesícula biliar emite descarga de bílis, o que faz mudar a cor da pele da pessoa para um amarelo esverdeado; o indivíduo experimenta um profundo mal estar e desassossego, opressão no tórax, uma sensação de peso no epigastro, dorme pouco, perde o apetite e, geralmente, acorda com dor de cabeça. O Dr. John Schindler afirma que além das manifestações externas perceptíveis, no momento da expressão de ira o sangue se coagula mais depressa, que o número de células sanguíneas aumenta para cerca de meio milhão por centímetro cúbico na circulação do sangue. Diz também que os músculos do estômago se contraem de uma forma intensa causando fortes dores abdominais. Os batimentos cardíacos se aceleram intensamente, a pressão do sangue se eleva muito, podendo causar explosão de vasos sanguíneos no cérebro. Além disso, as artérias coronárias se contraem e enrijecem produzindo a angina do peito e até uma trombose fatal da coronária.
O estar permanentemente com raiva produz doenças como dores abdominais como úlcera, dores no cólon, reumatismo muscular, gases, arrotos, cãibras, dormências nas mãos e nos dedos, enxaquecas, perturbações na pele, agulhadas no corpo, derrame cerebral e enfarto do miocárdio.
O professor Redford Williams afirma que a ira é mortal. Ele diz que o sentimento de hostilidade age lentamente na pessoa como veneno, roubando a saúde mental e física, por operar como uma toxina. É como tomar uma dose de veneno que age lentamente. Além de agir sobre as coronárias, a ira debilita o sistema imunológico, enfraquecendo a capacidade de defesa do organismo, e abrindo espaço até para o câncer.
Nosso corpo foi criado, programado para manipular a revolta emocional de tempo em tempo, mas o real prejuízo vem do fato de as pessoas recorrerem frequentemente às reações de hostilidade.
Em sua sabedoria a Bíblia diz que “O coração alegre é bom remédio, mas o espírito abatido faz secar os ossos” (Pv.17:22).
Além das conseqüências orgânicas, a ira acarreta também conseqüências sociais, pois impede a harmonia no lar, aniquila o espírito das pessoas que estão em contato com o irado, e proporciona quebra de relacionamentos vários. O local onde atua uma pessoa iracunda é um ambiente mais inóspito, do que morar em um lugar infestado de mosquito de dengue, e de toda sorte de piolho e pulga.
Denomina-se de iracundo à pessoa que se mantém em constante estado de ira, e por força disso, explode com todos, e por tudo constantemente. É o irritadiço.
O iracundo é tão nocivo ao ambiente onde está, que o sábio Salomão declarou: “O homem irado provoca brigas, e o de gênio violento comete muitos pecados” (Pv.29:22). “Quem é irritadiço faz tolices...”(Pv.14:17); “Não te associes com o iracundo, nem andes com o homem colérico, para que não aprendas as suas veredas, e assim enlaces a tua alma” (Pv.22:24,25). E o apóstolo Tiago disse: “Todo homem, pois, seja pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar. Porque a ira do homem não produz a justiça de Deus” (Tg.1:19,20).
A ira é uma porta de entrada para o governo de emoções negativas do tipo deprimente, tais como: mágoa, ressentimento, amargura e até depressão.
O iracundo é uma companhia nociva, por causar transtornos sérios ao relacionamento interpessoal.
É importante que a pessoa irascível se conscientize do seu estado irritadiço, e das conseqüências que suas atitudes acarretam sobre as pessoas. Além disso, é necessário que faça conserto com as pessoas a quem feriu, e se trabalhe, no sentido de exercitar longanimidade e domínio próprio. Todo aquele que facilmente explode, se explode, sem que haja cura.
Cuidemos das nossas interpretações sobre as atitudes dos outros em relação a nós, e evitemos viver em constante estado de irritação; para o nosso bem e para o bem dos nossos.
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