MURMURAÇÃO: Veneno Na Panela da Vida

on segunda-feira, 10 de maio de 2010


“A boca fala do que o coração está cheio”, disse o Mestre Jesus.

Um percentual acentuado de pessoas é dado à insatisfação, ao resmungo, à murmuração e à contenda, e precisa mudar essas atitudes negativas, a fim de que contribua de forma positiva em sua geração. Murmuração e contenda nos tornam impuros, atacáveis, condenáveis. Não nos permitem brilhar sobre as trevas dessa geração de forma a expressar a glória de Deus. Murmuração é um veneno dentro das pessoas.

A murmuração é treva em nossa vida. Jesus nos advertiu: “Repara, pois, que a luz que há em ti não sejam trevas. Se, portanto, todo o teu corpo for luminoso, sem ter qualquer parte em trevas, será todo resplandecente como a candeia quando te ilumina em plena luz.” (Lc.11: 35,36)

Murmurar é manifestar descontentamento, geralmente em voz baixa, numa expressão de insatisfação que reclama, reivindica, acusa, e condena. É um queixume que expõe a insatisfação que está enchendo o coração. Muitas vezes esse queixume é feito de forma audível, em conversas consigo mesmo, ou em conversas com outras pessoas.

A murmuração é um rosnar humano, semelhante àquele rosnar do cão antes de atacar a alguém. Quando um cão está vagueando à procura de comida, e encontra algo que lhe interesse, sempre rosna quando alguém, ou algum outro animal, se aproxima. É o querer somente para si.

O rosnar em forma de murmuração é um agir egoístico. A pessoa está centrada apenas em seus interesses, e sua conversa se dá sempre em forma de um remoer amargo de suas necessidades, vistas sempre como não satisfeitas.

Murmurar é queixar-se da sorte numa declaração de infelicidade. É dizer a Deus que ele é incompetente para cuidar de nós de forma satisfatória.

Na caminhada rumo a Canaã, os israelitas se tornaram especialistas em murmuração. Só sabiam murmurar e agredir, porque o seu coração era insatisfeito com tudo. Eles só viam dificuldades. Não conseguiam perceber o valor dos milagres realizados por Deus, nem a possibilidade do agir soberano de Deus quando houvesse necessidade. Diz o relato bíblico: Queixou-se o povo da sua sorte aos ouvidos do Senhor;” (Nm.11:1 a). O murmurador sempre se vê carecendo de algo e, por entender que não está sendo suprido, então rosna em forma de murmuração.

A murmuração pode apresentar-se sob duas formas: resmungo e lamentação.

O resmungo é o falar entre dentes, que traduz a presença da insatisfação interior a respeito de alguma circunstância, ou de alguém.

A lamentação é um choro em forma de palavras que sempre apresentam necessidades, autopiedade, descontentamento com a vida, com as pessoas, e com Deus.

Toda murmuração é sempre contra. Contra alguém, ou contra alguma situação; mas o que ela é mesmo, é uma queixa contra Deus. Moisés declarou ao povo de Israel: “As vossas murmurações não são contra nós, e sim, contra o Senhor.”(Ex. 16:8b)

Os israelitas, quando caminhavam no deserto, indo do Egito rumo a Canaã, se tornaram mestres de murmuração. Ao saírem do Mar Vermelho após a retumbante vitória sobre o exercito de Faraó, o povo de Israel caminhou para o deserto de Sur, onde não encontrou água. Daí seguiu em direção a Mara, onde havia água, porém, não a puderam beber, porque eram águas amargas. O povo murmurou por causa de água. Depois de Deus ter feito o milagre da transformação da amarga em água potável, o povo murmurou por causa de pão, e murmurou por causa de carne.

Deus mostrou ao povo a sua presença e o seu poder, ao fazer milagres após cada murmuração, mas o povo nunca se deu por satisfeito. Tendo água, pão, carne, roupa, teto e muito mais, o murmurador sempre murmura. É a insatisfação contínua. O problema não está no ambiente, está dentro dele.

Quando os espias foram vistoriar a terra de Canaã, voltaram trazendo um relatório um tanto contraditório. Dez deles declararam: “Não poderemos subir contra aquele povo, porque é mais forte do que nós. A terra pela qual passamos a espiar, é terra que devora os seus moradores; e todo o povo que vimos nela são homens de grande estatura. Também vimos ali gigantes, e éramos aos nossos próprios olhos como gafanhotos, e assim também o éramos aos seus olhos.” (Nm. 13:31-33). Após esse relatório, o povo viu-se como insignificante e fraco, e começou a murmurar, como fracos e insignificantes eram os seus representantes.

“Gritou em voz alta e o povo chorou aquela noite. Todos os filhos de Israel murmuraram contra Moisés e contra Arão; e toda congregação lhes disse: Oxalá tivéssemos morrido na terra do Egito! E por que nos traz o Senhor a esta terra, para cairmos à espada, e para que nossas mulheres e nossas crianças sejam por presa? Não nos seria melhor voltarmos para o Egito? (Nm. 14:1-3). Eles se viam como gafanhotos.

A murmuração é, em muito, o resultado da visão da insignificância, decorrente da auto-estima baixa, e da incredulidade do coração.

Por sentir-se insignificante, o murmurador tem expectativa de vida curta. Só pensa em miséria. E por pensar assim, só fala em miséria.

Toda murmuração atrai a atuação de adversários. Após murmurar, o povo de Israel defrontou-se com o exército de um rei guerreiro denominado Amaleque, contra quem teve que lutar. Se não fora a oração de Moisés, o apoio de Arão e Hur, e a ação corajosa de Josué com o auxílio do Senhor, todos teriam morrido em Refidim.

O murmurador é um elemento nocivo à vida comunitária, porque ele envenena a toda a população. O espírito de murmuração é como o bacilo da tuberculose, contamina o povo rapidamente.

A murmuração é sintoma de fragilidade nas diversas áreas da vida. A pessoa sem crescimento, sem amadurecimento, independente da idade, é dada à murmuração. Gente imatura não suporta ver lutas diante de si, logo geme, chora, se desespera e murmura.

A murmuração é um ato de rebeldia, uma rejeição a Deus, e um julgamento contra Deus. “Murmurastes nas vossas tendas e dissestes: Tem o Senhor contra nós ódio, por isso nos tirou da terra do Egito para nos entregar nas mãos dos amorreus e destruir-nos.”, (Dt.1:27), disse Moisés em confronto ao povo.

Toda murmuração é o resultado de uma conclusão errada a respeito da pessoa de Deus. O povo entendia que aquela caminhada era fruto do ódio de Deus contra eles, e não, da bênção do Senhor sobre suas vidas.

O murmurador nunca entra na posse da terra da bênção, do sucesso, porque faz parte da maligna geração insubmissa e perversa que sucumbe no deserto.

A murmuração, em qualquer uma das suas formas, é uma provocação que o homem faz a Deus, ou a outrem, uma declaração de que não crê na competência divina para cuidar e suprir àquele a quem criou.

Jesus disse que valemos mais do que os pardais e a relva. Os pardais não têm valor comercial e a relva tem vida curta; floresce e logo fenece. Uma vez que ele cuida do menos importante, não cuidará do que tem maior valia em sua criação, alguém feito à imagem e semelhança do seu Criador?

O problema dessas pessoas não é as situações contrárias, mas o tamanho da fé, que é tão insignificante, a ponto de não resistir ao teste do vendaval e da correnteza. Todo murmurador é um incrédulo.

Ao murmurar ante as dificuldades está menosprezando a bênção de Deus. O povo de Israel, em sua atitude nefasta, rejeitou o maná, e em tom de menosprezo o chamou de “pãozinho vil”.

O que confia no Senhor caminha no sobrenatural de Deus, e O vê fazer poderosos milagres e solução de impossíveis. Aquele que confia no Senhor não é movido pelas circunstâncias que vê, mas pela fé que crê que acima dos montes está aquele que não cochila nem dorme.

O murmurador é um fardo pesado a ser carregado pelos que o cercam. É fardo para a família, para os vizinhos e para a sociedade. É como um bebezão pesado e chorão, querendo mamadeira, mesmo já tendo chegado aos trinta ou cinqüenta anos. É alguém que envelheceu, mas não amadureceu.

O murmurador não vê a Deus como o companheiro da jornada da vida; não consegue perceber os braços de Deus tomando-o ao colo, e transportando-o no deserto. Tampouco o vê à frente como aquele que procura o lugar adequado ao acampamento e ao repouso dos seus amados.

As pessoas dadas à murmuração ficam tão cegas, que não conseguem perceber nem a nuvem de glória, nem a coluna de fogo que Deus tem colocado como proteção. Também, não percebem o Valente Guerreiro pelejando as suas pelejas.

A murmuração atrasa a nossa vitória pessoal e familiar, e dificulta em muito as nossas conquistas, como retardou a entrada do povo de Israel em Canaã.

O Senhor quer que os seus amados fitem os olhos sobre a sua posição no Trono, e saibam que em suas mãos estão as águas dos rios, o coração do rei, e todas as circunstâncias de nossa vida.

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